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Crise na cebolicultura: Pezenti encaminha sugestões de medidas urgentes ao governo

O deputado federal Pezenti (MDB-SC) lamentou a grave crise enfrentada pelos produtores de cebola do Sul do Brasil, especialmente de Santa Catarina, e cobrou medidas imediatas do governo federal para garantir condições mínimas de sobrevivência ao setor.



Para ilustrar a distorção entre o preço pago pelo consumidor e o valor atual recebido pelo agricultor na roça, Pezenti levou cebolas para o Plenário da Casa.


“No mercado, aqui em Brasília, eu paguei R$ 9,90 o quilo da cebola. O produtor está recebendo lá na ponta R$ 0,80. Em alguns casos, apenas R$ 0,40. E, às vezes, zero. Tem agricultor com apenas duas opções: entregar de graça ou levar de volta para a roça para virar adubo”, lamentou.

Segundo o parlamentar, esta já é a segunda safra consecutiva em que produtores trabalham no prejuízo.


“Eu me pergunto, se a Câmara dos Deputados atrasasse o pagamento por 15 dias, o berreiro que haveria. Imagine ficar dois anos trabalhando no prejuízo. Nós não queremos que governo interfira no preço artificialmente. Somos a favor do livre mercado. Mas o Estado serve pra dar suporte para garantir que as famílias afetadas permaneçam na atividade, porque muitos já estão abandonando e isso é um problema econômico e social pro país”, explicou Pezenti.

PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES


Pezenti afirmou que já levou ao governo federal quatro pautas prioritárias apresentadas pela Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (APROCESC). Entre as demandas estão:


• Extensão dos prazos para pagamento do custeio, já que atualmente o produtor precisa vender a cebola até 60 dias após a colheita, ficando refém de preços baixos;


• Aumento do bônus do Programa de Garantia de Preço para a Agricultura Familiar (PGPAF), hoje limitado a R$ 5 mil por produtor — valor que, segundo o deputado, não cobre sequer 10% do custo de produção;


• Prorrogação das dívidas com manutenção dos juros contratados;


• Revisão das regras do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro);


• Regularização da subvenção ao Seguro Rural e ampliação do acesso ao crédito via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).



PRIMEIRA AÇÃO EMERGENCIAL ANUNCIADA


Nesta sexta-feira (13), após a cobrança de Pezenti, o governo federal autorizou a prorrogação e renegociação dos financiamentos de custeio do Pronaf para os produtores de cebola catarinenses. A orientação consta no Ofício nº 90/2026/SAF-MDA, emitido pela Secretaria de Agricultura Familiar. Com isso, os produtores que possuem operações ativas podem procurar a agência bancária onde contrataram o crédito para solicitar a revisão das parcelas.


Pezenti destacou ainda que está elaborando junto a consultoria da Câmara propostas legislativas para criação de políticas públicas que socorram o agricultor familiar em crises como esta.


O prefeito de Atalanta e presidente da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI), Cláudio Volnei Sens, afirmou que a crise é grave e vai afetar além dos agricultores, o comércio das cidades produtoras.


“Nós vamos decretar situação de emergência econômica. Os municípios da AMAVI estão unidos na esperança de que o governo anuncie medidas emergenciais”, explicou.

IMPORTÂNCIA DA CEBOLICULTURA PARA SC E O BRASIL


Santa Catarina é o estado que mais produz cebolas no país. O estado responde, em média, por cerca de 20% a 25% da produção nacional. Municípios do Alto Vale do Itajaí concentram grande parte dessa produção, que é majoritariamente conduzida por agricultores familiares.


No Brasil, a produção anual de cebola gira em torno de 1,5 milhão de toneladas, movimentando bilhões de reais e gerando milhares de empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva — do plantio à comercialização.

 
 
 

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